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Condomínios debatem prós e contras da portaria remota na crise econômica

Adesão a portaria virtual para reduzir gastos segue em alta na pandemia, mas desemprego e valores de rescisão são levados em conta.

Reduzir gastos e evitar o contato humano são duas das principais vantagens da portaria remota para os condomínios, principalmente em época de crise econômica causada pela pandemia do coronavírus. Entretanto, o investimento a curto prazo em tecnologia e o número de porteiros que podem perder os seus empregos durante uma recessão faz com que condôminos, funcionários e administradoras busquem a melhor solução.

Em 2019, a Associação Brasileira de Empresas de Segurança Eletrônica (Abese) divulgou uma pesquisa mostrando que o número de portarias remotas havia aumentado 150%. Já neste ano, a entidade registrou durante a pandemia uma alta de 20% de procura pela solução tecnológica.

De acordo com Carlos Alberto Pereira, que é síndico desde 2017 de um condomínio na Vila Romana, em São Paulo, os moradores se acostumaram ao novo modelo depois de um tempo. “O período de adaptação durou aproximadamente dois meses e após essa época chegou a pandemia. No final, todos perceberam a importância da segurança no condomínio.”

A adaptação ao novo normal também ocorreu para os produtores das novas portarias. Henrique Blecher, CEO da incorporadora Bait, especializada em projetos tecnológicos voltados a prédios, explica que houve adaptação referente à covid-19 inclusive em imóveis entregues em 2020.

“Os residenciais que lançamos neste ano já estão com reconhecimento facial, sistemas de controle de acesso e câmeras nas áreas comuns, segurança perimetral e olho mágico digital, por exemplo. E estamos projetando eclusas com acesso externo separado nos espaços de delivery, para separação dos fornecedores de entregas, diminuindo o fluxo nos edifícios e melhorando as seguranças sanitária e patrimonial”, enumera ele.

Apesar das inovações já adaptadas, o Secovi-SP (sindicato da habitação) informa que o setor deve entrar em um “período estável” após cerca de quatro anos de crescimento ininterrupto.

Os serviços de portaria foram impactados, inclusive com o aumento de número de entregas em geral. Surgiram novas necessidades de controle de áreas comuns. Assim, o trabalho humano de portaria ganhou também relevância”, pontua Moira de Toledo, diretora-executiva da vice-presidência de Administração Imobiliária e Condomínios do sindicato.

Medo do desemprego

A nova realidade tecnológica, impulsionada pela pandemia, é um dos grandes pontos de interrogação para os porteiros. A diminuição de mão de obra por portarias virtuais põe em risco os seus cargos e preocupa em um momento de recessão econômica. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,1 milhões de brasileiros estão desempregados (14,3% da força de trabalho).

Presidente da Abese, Selma Migliori usa uma pesquisa feita ainda em 2019 pela instituição para mostrar que novas oportunidades estão surgindo. “34,5% das empresas que atuam com portaria remota realizam a requalificação dos porteiros para as áreas de atendimento, assistentes de manutenção, operadores remotos, seguranças ou para operar conjuntamente ao sistema remoto. Desta maneira, a mão de obra é requalificada e absorvida.”